Cresce o número de autistas de alto funcionamento inseridos no mercado de trabalho

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15 agosto 2018

Através do tratamento adequado, adolescentes e adultos com síndrome de asperger são inseridos no mercado de trabalho e alcançam sucesso em suas funções

A palavra que parece mais ideal para essa matéria seria inclusão, mas estamos falando de algo que vai além. Estamos falando de capacidade cognitiva diferenciada de adolescentes e adultos com autismo de alto funcionamento. Aqueles que possuem habilidades que se destacam da maioria, que podem, e devem ser desenvolvidas em um ambiente de trabalho comum.

É inconcebível a ideia de que autistas de alto funcionamento ou síndrome de asperger não devem ser aceitos em trabalhos típicos por apresentarem algumas diferenças em habilidades do comportamento. Pelo contrário, hoje existem tratamentos personalizados que trabalham especificamente com o que traz mais dificuldades para o asperger se desenvolver em um ambiente de trabalho. Assim como existem empresas voltadas a buscar, capacitar e inserir pessoas com autismo de alto funcionamento em uma ocupação remunerada.

A verdade é que podemos trabalhar com um autista de alto funcionamento e não sabermos que se trata de um, e ainda invejarmos sua capacidade e habilidades diferenciadas que o evidencia dos demais. É fato: eles podem conviver de maneira harmoniosa em uma empresa e trazer resultados surpreendentes.

O que é o Autismo de alto funcionamento ou Síndrome de Asperger

Todas as vezes que ouvimos a palavra "autismo" é comum relacionarmos com alguns estereótipos, como: isolamento, quietude, incomunicabilidade.

Mas é importante ressaltar que não há só um tipo de autismo, mas diferentes graus dentro desse transtorno do desenvolvimento, um espectro que abrange diferentes déficits comportamentais.

Segundo a Classificação Internacional de Doenças, oficialmente adotada pela legislação brasileira, dentro do Transtorno do Espectro Autista existe a chamada Síndrome de Asperger - que é definida como o autismo de alto desempenho, onde a inteligência e a fala estão preservadas, apesar de algumas dificuldades sociais.

A Síndrome de Asperger é muito mais comum do que a maioria das pessoas pensa. O asperger, ou autismo de alto funcionamento, costuma ser diagnosticado bem mais tarde do que os outros níveis de autismo. Enquanto os demais níveis de autismo podem ser diagnosticados até antes dos três anos de idade, o asperger, ou autismo de alto funcionamento, é diagnosticado, na maioria das vezes, após os três anos de idade.

Estima-se que 1% da população mundial esteja enquadrada no espectro autista, segundo dados dos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças do Governo dos Estados Unidos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 em cada 160 crianças tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Habilidades de indivíduos com autismo de alto funcionamento

Uma pessoa com TEA (Transtorno do Aspectro Autista) de alto funcionamento apresenta frequentemente uma ou várias das seguintes características: aptidão matemática, tecnológica, musical e artística. Excelente capacidade de concentração, especialmente nas atividades de que gostam. Habilidades visuais elevadas. Talento para atividades repetitivas, e para dedicar-se à realização de tarefas metódicas sem perder a concentração. Uma grande capacidade para compreender e lembrar de regras, padrões e conceitos concretos. Excelente memória de longo prazo, sobretudo para fatos, estatísticas. Adesão às normas e honestidade.

São características específicas e de grande valia que muitos gestores buscam encontrar em candidatos para os postos de trabalho.

Marcelo Vitoriano, diretor geral da empresa Specialisterne - com sede em São Paulo, capital, uma empresa social que dá valor às características especiais das pessoas com asperger – comenta que a maioria das empresas desconhece os potenciais das pessoas com autismo e as vantagens competitivas de ter um profissional assim na empresa:

"Seguramente, a maioria das equipes de recrutamento e seleção reprovam candidatos com asperger, pois seus processos de seleção não contemplam as características das pessoas com autismo. É preciso quebrar os paradigmas desses processos mais tradicionais que dirigem as decisões a partir de determinadas habilidades sociais. Já é fato que empresas que contratam pessoas com TEA de alto funcionamento são empresas socialmente inovadoras que aproveitam as evidentes qualidades das pessoas com asperger como uma vantagem competitiva, e que experimentam na prática conviver com profissionais que possuem paixão pelos detalhes, raciocínio lógico, atenção e concentração acima da média, e constância nas atividades."

A Specialisterne, empresa dirigida por Marcelo Vitoriano, tem como missão e objetivo a formação e inclusão de pessoas com autismo no mercado de trabalho proporcionando maior autonomia, independência econômica e melhora na qualidade de vida das pessoas como um todo.

"Acreditamos que todas as pessoas têm direito a oportunidades iguais no mercado de trabalho, independente de suas características pessoais. É importante que haja uma compreensão por parte da equipe quanto às necessidades específicas do profissional com autismo, que deve receber apoio para entender, de maneira clara e direta, quais as expectativas em relação ao seu trabalho. Pela nossa prática, os colaboradores que participam do processo de integração e sensibilização, costumam se orgulhar bastante de fazer parte dessa equipe", finaliza Marcelo.

Tratamento do indivíduo com asperger e inclusão no mercado de trabalho

Não há "cura" para a Síndrome de Asperger. No entanto, há uma série de estratégias e abordagens úteis para melhorar as condições de vida, assim como a inserção no mercado de trabalho.

O tratamento da síndrome de asperger, ou autismo de alto funcionamento, é realizado por um psicólogo especializado, através da abordagem ABA (Applied Behavior Analysis), uma Ciência aplicada do comportamento, única indicada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e de preferência desde a infância do paciente.

A Análise do Comportamento é uma ciência que pode ser aplicada para modificar, melhorar, ensinar, ampliar qualquer comportamento. Desde ensinar uma criança a apontar, ir ao banheiro, até "paquerar", falar com a namorada e ser inserido no mercado de trabalho. São pequenas sutilezas e regras de convenções sociais que não são entendidas de forma natural para esses indivíduos, mas podem ser ensinadas através de um treino específico.

 A Análise do Comportamento possui intervenções capazes de ensinar repertórios para o estabelecimento de relações sociais adequadas e de oferecer uma melhor qualidade de vida a esses indivíduos, para ajudá-los com suas interações sociais (seja para conviver melhor com seu cônjuge, colegas de trabalho ou família ou encontrar um parceiro romântico ou amigos), ou para se organizar e gerir o seu tempo.

Renata Michel (especialista em Neuropsicologia e Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir) comenta que pacientes com TEA de alto funcionamento que passam pela clínica e desejam ser inseridos no mercado de trabalho encontram um caminho desafiador, mas cheio de conquistas e descobertas:

"Recebemos devolutivas muito animadoras de empresas que contratam pacientes que passam por tratamento conosco. É muito comum o empregador dizer que esses funcionários possuem alto funcionamento cognitivo, são altamente concentrados e conseguem desenvolver muito bem suas funções. Quando esse paciente chega na clínica, conversamos pra entender quais repertórios comportamentais ele sente mais dificuldade. Normalmente as queixas giram em torno da interação social.

Primeiramente, iniciamos com o trabalho clínico, para acessar onde começaram as queixas e dificuldades sociais. Posteriormente, passarmos para o ambiente natural de interação desse indivíduo, através do acompanhamento terapêutico. Ele é acompanhado em ambientes sociais que frequenta, dentre eles o trabalho, para futuramente conseguir aos poucos ser inserido no contexto social desejado. Assim também auxiliamos em inúmeras outras atividades, tais como: tirar carta de motorista, inscrição em universidades ou qualquer desenvolvimento de repertório que ele necessite", conclui Renata.


Diego durante caminhada de conscientização do autismo

Conheça a história de Diego – um autista de alto funcionamento no mercado de trabalho

Diego Ferreira, 35 anos, é Consultor de TI. Assim que Diego soube do diagnóstico de autismo de alto funcionamento, entendeu mais profundamente o que se passava com suas questões sociais e emocionais:

"Depois que passei por tratamento especializado com minha neuropsicóloga, entendi melhor sobre minhas limitações e fui desenvolvendo mais confiança nas minhas habilidades. Isso me ajudou a ir em busca de uma empresa que poderia me auxiliar na procura por um emprego. Ao participar de todo o processo e apoio que a empresa oferece, fiquei mais seguro em compartilhar meus objetivos profissionais."

Durante a metodologia de formação, Diego foi, então, selecionado para participar do processo seletivo de um grande banco nacional:

"Confesso que bateu um pouco de nervosismo ao observar aquela sala cheia de avaliadores, mas pelo feedback passado, percebi que fui objetivo nas respostas e ninguém percebeu meu nervosismo no momento.Depois desse processo, fui comunicado de minha aprovação. Fiquei super feliz com a notícia. Esperei quase um mês para ser chamado na unidade do banco e aproveitei este tempo para estudar mais sobre as tecnologias, para poder ajudar da melhor forma possível."

Em março deste ano, Diego iniciou seu primeiro dia de trabalho:

"Todos da equipe foram super atenciosos comigo e me apresentaram todo o ambiente de trabalho. Achei o pessoal da equipe super alto astral e fiquei muito à vontade de conversar com todos eles. É uma satisfação enorme fazer parte disso tudo. Os superiores estão super satisfeitos e tem me agradecido muito por toda ajuda nas atividades. Sinto-me muito realizado por estar somando na equipe e pela oportunidade incrível em trabalhar em uma empresa de grande porte", ressalta Diego.

Inclusão que gera resultados

As pessoas com autismo de alto funcionamento saem de uma situação de exclusão para uma situação de trabalho, de respeito e de dignidade. É primordial que as empresas tenham em seus valores o respeito e valorização à diversidade. Em relação ao autismo, é importante conhecer tanto os aspectos gerais, como características específicas de cada indivíduo, em suas particularidades e necessidades de apoios para uma inclusão com qualidade. Isso tem feito muito a diferença para empresas que abraçam essa causa, apoiam e incluem profissionais que possuem habilidades diferenciadas como essas. E na prática, não é apenas inclusão, mas também, resultados extraordinários para os negócios.

Sarampo

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10 agosto 2018

Especialista alerta sobre a importância da vacinação


Doenças graves erradicadas no Brasil voltam a afetar a população e preocupam os profissionais de saúde

Algumas doenças graves que foram erradicadas no País há anos, voltaram a afetar a população recentemente, preocupando instituições e profissionais de saúde no geral. Vários estados brasileiros, como Amazonas, Roraima, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, já confirmaram casos de sarampo, por exemplo. De acordo com o Ministério da Saúde, a meta de vacinação do calendário adulto está muito baixa e a imunização contra a poliomielite, vírus que pode causar paralisia, é considerada mínima e pode retornar em, pelo menos, 312 cidades brasileiras.

Segundo a dra. Rosana Richtmann, infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, as vacinas desempenham um papel fundamental na proteção contra doenças como o sarampo e não existe nada mais eficaz em saúde pública do que imunização. “A vacinação é a forma mais eficaz de se prevenir o sarampo e outras doenças. Quanto mais pessoas imunizadas, menor a chance de termos pessoas doentes. É uma questão de responsabilidade social”, conta a especialista.

A infectologista reforça que a população não pode deixar a vacinação cair no esquecimento. “Na atual realidade, as pessoas estão se esquecendo de se vacinar e também de imunizar seus filhos. Isso não pode acontecer, pois as vacinas são um dos mecanismos mais eficazes na defesa do organismo humano contra agentes infecciosos e bacterianos, e consiste na proteção do corpo por meio de resistências às doenças que o atingiriam. Quando você se vacina, você protege todos ao seu redor”, afirma.

Em relação ao sarampo, a profissional ressalta que era uma doença erradicada e que, até o ano 2000, não existia mais casos no Brasil. “É um vírus de fácil transmissão e que gera diversas complicações. As bolinhas vermelhas só aparecem dias depois da doença adquirida e a patologia começa com tosse, febre, conjuntivite, coriza, entre outros sintomas. As pessoas imaginam que é uma doença leve, mas ela pode levar a sequelas muito sérias. Entre elas estão diarreia, infecção nos ouvidos, vômito, hemorragia, convulsões, hepatite, pneumonia bacteriana secundária e até sequelas neurológicas”, explica.

Para as gestantes, a patologia, caso não tratada, pode envolver aborto no 1º trimestre de gestação e risco de parto prematuro. “Isso sem falar em infecção no sistema nervoso e em problemas respiratórios. Infelizmente, a mãe não pode tomar vacina durante a gestação, pois pode desencadear graves complicações. O ideal é que ela tenha se vacinado antes da gravidez. Caso contrário, deve evitar contato com pessoas em locais fechados e, principalmente, com pessoas contaminadas”, ressalta.

A vacina que protege contra o sarampo é a tríplice viral, que também imuniza contra caxumba e rubéola. A pessoa deve ter tomado duas doses com intervalo mínimo de um mês, desde que a primeira tenha sido adquirida depois de um ano de vida. “As duas doses no primeiro ano do bebê protegem a criança para o resto da vida. Porém, quem não sabe se tomou a vacina, pode tomar novamente, sem problemas. O importante é a imunização”, afirma a dra. Rosana.

Essa vacina é oferecida nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS, em todo o Brasil, e nas unidades privadas como no Centro de Imunização do Santa Joana. Inclusive, o País é reconhecido por ter implementado o Programa Nacional de Imunização (PIN), que se destaca por ser um dos melhores projetos de imunização do mundo, atuando fortemente na prevenção e erradicação de doenças.

Em relação a efeitos adversos da vacina do sarampo, a infectologista comenta que são raros os casos considerados graves. “Os efeitos colaterais mais comuns são dor no braço, vermelhidão e inchaço onde foi aplicada a vacina. Também podem ocorrer febre ou mal-estar passageiro. Em alguns casos, e dependendo do tipo de vacina, a pessoa pode apresentar sintomas parecidos com os da própria doença. Isso acontece pelo fato de a vacina ter em sua composição um vírus enfraquecido, mas incapaz de transmitir a enfermidade. Em casos mais extremos, porém muito raros, pode causar choque anafilático”, enfatiza dra. Rosana.

A coqueluche e a poliomielite são outras duas doenças que estão preocupando os profissionais de saúde. No caso da coqueluche, a dra. Rosana afirma que houve um aumento no número de casos devido ao melhor diagnóstico que é feito atualmente pelo setor. “Apesar de ser uma doença que não foi erradicada, ela merece atenção. A vacina que protege desta patologia é a tríplice bacteriana (DTP), que também imuniza contra difteria e tétano e são oferecidas gratuitamente a partir de dois meses de idade do bebê. Ela é tão importante que está indicada para as grávidas a partir de 20 semanas de gestação, com o intuito também de prevenir a doença no feto”, reforça a especialista, que afirma ser essencial realizar um reforço da vacina a cada dez anos.

Já a poliomelite está erradicada em toda a região das Américas há mais de 20 anos. O último caso no Brasil foi em 1989. Porém, por conta dos baixos índices de imunização, a doença pode voltar a afetar os brasileiros. “Esta doença é grave, causada por um vírus que vive no intestino e pode afetar o sistema nervoso, levando à paralisia. A vacina contra essa doença deve começar por volta dos dois meses de vida, com mais duas doses aos quatro e seis meses, e reforços entre 15 meses e aos cinco anos de idade”, afirma a infectologista.

Sobre o Hospital e Maternidade Santa Joana: O Hospital e Maternidade Santa Joana é reconhecido como um grande centro especializado nos cuidados com a saúde integral da mulher e do neonato. Uma das Instituições que mais investem em tecnologia hospitalar e infraestrutura é acreditado pela Joint Commission International (JCI), a mais importante certificação hospitalar do mundo, que atesta a excelência do hospital em segurança do paciente e qualidade do atendimento. A instituição oferece serviços de alta complexidade para gestações de risco e tem uma parceria inédita com a Universidade de Stanford, eleita pela revista Forbes como a melhor universidade americana. O objetivo da parceria é a prevenção de lesões cerebrais e sequelas neurológicas em recém-nascidos que sofrem asfixia no momento do parto. Único no Brasil a possuir uma UTI Neonatal especializada no tratamento de bebês com problemas neurológicos, o Hospital ainda contempla mais quatro unidades de terapia intensiva neonatais, além da UTI Adulto - todas equipadas com o que há de mais avançado no segmento. A Instituição também conta com um Centro de Diagnóstico, voltado para diversas doenças da gravidez e para a realização de exames de laboratório e imagens, além de Centros de Endometriose e Imunização. Visite o site: www.santajoana.com.br.

Inverno e técnica de hipotermia em recém nascido

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08 agosto 2018
Monitoramento em UTI Neonatal e técnica de hipotermia salva vidas e evita sequelas neurológicas em recém-nascidos

Falta de oxigenação no parto é a principal causa de lesões; hipotermia prevê a redução da temperatura corpórea do bebê para proteção dos seus neurônios

Prevenir sequelas neurológicas em recém-nascidos e mudar a vida de pacientes com alto risco para lesão, por meio da maior rede de monitoramento cerebral de bebê com alta tecnologia e inteligência artificial.

Esse é o objetivo de um projeto inédito no Brasil, criado pela PBSF - Protecting Brains & Saving Futures (Protegendo Cérebros, Salvando Futuros) que promove a difusão do conceito de UTI Neonatal Neurológica e oferece aos hospitais apoio de uma Central de Monitoramento 24 horas.

Isso porque, no Brasil, estima-se que nasçam de 6 a 18 mil bebês /ano com asfixia perinatal, popularmente conhecida como falta de oxigenação no cérebro durante o parto. Nascem aproximadamente 1 a 2 bebês com asfixia perinatal por hora e, estudos estimam que caso não sejam oferecidos os tratamentos mais atuais, cerca de 35% dos sobreviventes terão que viver com déficits neurológicos.

O pediatra e neonatologista, Dr. Gabriel Variane, conta que a iniciativa surgiu devido à preocupação de especialistas com esses altíssimos números e, consequentemente, com o aumento dos custos gerados por doenças graves e permanentes, originadas por problemas na hora do parto.

  “O cenário atual envolvendo pacientes de alto risco para lesão cerebral envolvem cerca de 40 casos por hora”, diz Variane.

Os bebês inseridos nesse grupo de risco são: recém-nascidos com asfixia perinatal, com crises convulsivas, mal epiléptico, com malformações do sistema nervoso central, prematuros extremos, recém-nascidos com hemorragia intracraniana, cardiopatas e aqueles com erro inato do metabolismo.

No intuito de reduzir cada vez mais as possíveis lesões em casos de asfixia e prematuridade, a PBSF oferece aos centros associados aquilo que os principais centros de Neonatologia do mundo recomendam em terapêutica para asfixia neonatal: Central de Monitoramento e conexão 24h por dia; discussão de protocolos; promoção de assistência remota; aplicação de monitoramento cerebral; armazenagem de dados e análise de resultados da UTI Neonatal Neurológica. Também são disponibilizados treinamento longitudinal, metodologias e equipamentos para a implantação do Modelo UTI Neonatal Neurológica.

No Brasil, a criação do projeto foi possível graças à parceria da PBSF – Protecting Brains & Saving Futures (Protegendo Cérebros, Salvando Futuros) e da organização de fomento Axigen – uma organização que apoia startup voltadas à saúde.

O frio faz bem? Hiportemia Terapêutica

Uma das principais tecnologias oferecidas pelo programa é denominada hipotermia terapêutica, técnica que prevê a redução da temperatura corpórea do bebê para proteção dos seus neurônios.

De acordo com o neonatologista, a hipotermia é o resfriamento do bebê para uma temperatura de 33 ou 34 graus, impreterivelmente, nas suas seis primeiras horas de vida, o que resulta em um excelente efeito neuroprotetor, incapaz de ser atingido por outro método terapêutico.

“A temperatura normal de um corpo humano varia entre cerca de 36 a 37 graus. Ao fazer esse resfriamento, é comum a ideia de que outros órgãos serão prejudicados. Enfatizamos que o procedimento é extremamente seguro, que os possíveis efeitos colaterais são manejáveis e que os benefícios superam, e muito, qualquer tipo de risco”, explica.

Hospitais e personagens

O projeto nasceu na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e, atualmente, 13 hospitais já implantaram o sistema, após 25 meses de operação. Até julho de 2018, mais de 1300 pacientes já foram beneficiados.

O Hospital e Maternidade Santa Joana, localizado na capital paulista (SP) foi o primeiro serviço privado a implantar a UTI Neonatal Neurológica, que está fundamentada em quatro pilares - monitoração cerebral, avaliação neurológica, neuroimagem e neuroproteção.

Em julho deste ano, o Hospital Santa Luzia (HSL), da Rede D’Or São Luiz, recebeu o projeto, sendo a 1ª instituição do Centro-Oeste a contar com a tecnologia, promovendo a difusão do conceito de UTI Neonatal Neurológica e oferece apoio de Central de Monitoramento 24h.
                                                                                  
Em Santos, a tecnologia já foi implantada no Complexo Hospitalar dos Estivadores (CHE), o primeiro da Baixada Santista a utilizá-la; e na Santa Casa do município, que inaugurou a estrutura em maio deste ano.

“Nossa meta é alcançar 100 hospitais de todo o país em cinco anos e consolidar o programa como a maior rede de monitoramento cerebral e neuroproteção do mundo. Uma vez que, quanto mais baixa a condição socioeconômica, maiores os riscos, também pretendemos estreitar relacionamento com Secretarias e Ministério da Saúde, visando estender os benefícios para o SUS e grandes hospitais públicos”, conta Dr. Gabriel Variane.

Agosto Dourado

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03 agosto 2018


Especialista aponta benefícios do aleitamento materno


Em todo o mundo apenas 38% das crianças são amamentadas. Ano passado uma lei promoveu agosto como o mês do aleitamento materno e possui diversas campanhas para incentivar a amamentação

Sabe-se que a amamentação, isoladamente, é a estratégia de maior impacto capaz de salvar a vida de cerca de 13% das crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas previsíveis. O estímulo da amamentação exclusiva salva nada menos que 6 milhões de crianças por anoEm todo o mundo, apenas 38% das crianças são amamentadas. Conforme a Organização Mundial da Saúde, a meta global a ser atingida até 2025 é de que pelo menos 50% dos lactentes recebam o aleitamento materno até o sexto mês de vida da criança. Por isso, desde o ano passado, foi sancionada uma lei pelo Congresso Nacional, que institui o mês de agosto como o “Mês do Aleitamento Materno”, que passa a ser chamado de “Agosto Dourado”.

Para Cíntia Matieli, consultora de amamentação e fundadora da Mommy’s Angel consultoria materna, “o leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber nos seus primeiros anos de vida, sendo indicado até dois anos ou mais. Sua superioridade orgânica o torna de melhor digestibilidade, sendo o alimento mais completo para promover o crescimento e desenvolvimento infantil”. Além disso, segundo Cíntia, as crianças amamentadas com leite materno também estão mais protegidas contra doenças infecciosas.”, comenta.

Ainda existem muitos tabus e principalmente no que se refere a quantidade de mamadas, por exemplo, por isso, Cíntia preparou dicas para as mamães se sentirem mais confiantes em oferecerem este alimento tão rico ao seu bebê:
  • O bebê deve ser amamentado todas as vezes que desejar. Importante: a mãe deve permitir que a criança mame até o momento em que sentir o peito vazio ou murcho para, só então, oferecer a outra mama.  Estas são recomendações importantes, pois muitas mães reclamam que seus filhos choram o tempo todo, que querem mamar a toda hora e que o leite produzido é fraco e, por isso, leva a criança a sentir fome”, explica Cíntia.  
  • Importante: na verdade, o leite não é fraco. O bebê é que sente fome, uma vez que este alimento é rapidamente digerido.
  • As mulheres produzem dois "tipos de leite": o que se concentra no fundo da mama, rico em nutrientes, capaz de estimular o ganho de peso e o crescimento do bebê; e o localizado mais na parte da frente da mama, rico, principalmente, em água, o que leva a recomendação de que não é necessário oferecer água a criança até o sexto mês de vida. 
  • É sempre bom lembrar que o bebê deve ser colocado para arrotar, logo após a mamada e, se ele for ficar deitado, deve ser posicionado para cima, pois, caso vomite, não corre o risco de sufocar-se.
  • É muito comum as mulheres sentirem dores nas mamas, devido às rachaduras (fissuras). Para preveni-las, é necessário passar o próprio leite na mama, antes e após dar de mamar. Caso as rachaduras já existam, o leite ajudará a cicatrizá-las. Na maioria das vezes, o que faz o peito rachar é o jeito que o bebê abocanha a mama: sua boquinha deve envolver e abocanhar a aréola do peito, aquela parte redonda e mais escura, localizada ao redor do bico do seio. Se o bebê sugar somente o mamilo (bico), com o tempo, a mama ficará machucada. Para corrigir as fissuras existentes, além de passar o próprio leite na mama, a pega do bebê, ou seja, o jeito que ele abocanha a mama, também deve ser corrigida.
  • Também é comum reclamações de dores nas costas, no pescoço e nos ombros. Por isso, ao amamentar, a mulher deve preferir ambientes tranquilos, posicionar-se de maneira confortável, com a coluna alinhada e os pés apoiados.
  • No geral, água morna nas costas durante o banho pode aliviar eventuais dores. Só é preciso lembrar que não se deve deixar cair água quente ou morna nos seios, pois isto pode fazer com que o leite empedre, as mamas fiquem ingurgitadas e a mulher sinta mais dores.


Sobre Mommy's Angel Consultoria Materna

Fundada por Cíntia Matieli, consultora de Amamentação e Educadora Perinatal, a Mommy’s Angel está há mais de 15 anos no mercado e possui dezenas de cursos e consultorias para dar mais tranquilidade e segurança aos pais para cuidarem de seus bebês após o nascimento. Atualmente oferece os serviços de consultoria em aleitamento materno, em sono materno-infantil, curso preparatório para casais grávidos, treinamento de babás personalizado e laserterapia. 

Para mais informações acesse: https://mommysangel.com.br/

Sete dicas para uma amamentação saudável

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31 julho 2018

Obstetra Corintio Mariani Neto dá orientações fundamentais e esclarece as principais dúvidas desse período

Comemorada entre os dias 1 e 7 de agosto, a Semana Mundial do Aleitamento Materno reforça a importância da amamentação para o desenvolvimento saudável dos bebês, assim como para a diminuição da mortalidade entre recém-nascidos no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 800 mil vidas seriam salvas anualmente se toda criança fosse amamentada desde o nascimento até os 2 anos. "Isso porque a amamentação é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência de recém-nascidos", pontua o ginecologista e obstetra Corintio Mariani Neto, presidente da Comissão Nacional de Aleitamento Materno da Febrasgo e diretor técnico do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros.

No Brasil, somente 38,8% das crianças se alimentam exclusivamente do leite materno nos primeiros 5 meses de vida, taxa considerada abaixo do ideal pela OMS. Para o obstetra, ainda há muito a fazer para que se chegue cada vez mais perto do ideal. "Uma das medidas importantes para estimular o aleitamento é fornecer informação de qualidade às mães, já que o tema costuma trazer muitas dúvidas", pontua. Para isso, o especialista destaca algumas dicas importantes. Confira abaixo:


Alimentação é a fonte

Mantenha uma dieta balanceada, constituída por carnes magras, aves, ovos, peixes, frutos do mar, verduras, cereais e frutas. A hidratação também é importante: beba pelo menos dois litros de água por dia. Evite excesso de leite de vaca, amendoim, frutas secas, soja, café, chocolate, refrigerantes, chá preto, mate, feijão, repolho e batata doce, para prevenir alergias ou mesmo gases e cólicas intestinais na criança.

Seu leite não é fraco

De um modo geral, não existe leite fraco, nem leite forte, cada mãe produz o leite ideal para o seu bebê, principalmente se a mãe estiver seguindo uma dieta adequada para esse período. Não é preciso complementar a alimentação do bebê com fórmula artificial por meio de mamadeira, a não ser que seu médico tenha orientado. A introdução precoce do bico artificial pode levar o bebê a recusar o peito, fazendo a produção de leite diminuir progressivamente.

Não interrompa a mamada

Quando a criança começa a sugar, ela recebe o leite inicial da mamada, que é mais "diluído" e serve para hidratar a criança. Depois de certo tempo, que é variável de bebê para bebê, começa a chegar o leite do final da mamada, que é rico em gorduras e, por isso, sacia a fome do bebê. Assim, é importante que não se interrompa a mamada para trocar de peito e que a criança mame do mesmo lado até saciar sua fome.

Pega e posição

A mãe deverá estar relaxada e confortável, o abdome do bebê encostado ao seu, com a cabeça e o tronco alinhados e o queixo tocando o peito materno. A boca do bebê deve estar bem aberta (cobrindo quase toda a parte inferior da aréola), o lábio inferior voltado para fora e sua língua acoplada ao peito. A sucção será lenta e profunda, intercalada por pequenas pausas de deglutição. O pequeno deve sugar a aréola, não o mamilo.

Mamilo machucado, e agora?

É preciso estar atenta à posição do bebê, pois a pega incorreta pode ser o motivo de os mamilos estarem machucando. Corrija a posição e fique tranquila, pois a cura das lesões costuma ser rápida. Lembre-se que o seu próprio leite é um ótimo cicatrizante. Também considere a utilização de produtos que ajudem na cicatrização das lesões, mas somente com a indicação do seu médico.

Amamente a livre demanda

Não se apegue a intervalos fixos, isso costuma ser bem variado, dependendo da necessidade e da frequência que seu bebê gosta de mamar. Respeite as vontades do pequeno, pois ele não procura o seio apenas para matar a fome, mas também quando tem sede ou precisa de conforto, aconchego e segurança. Portanto, não hesite em colocá-lo para mamar.

Contracepção e Amamentação

Algumas mulheres podem ovular mesmo amamentando. Para prevenir, é necessário que a amamentação seja exclusiva, com mamadas frequentes, nas 24 horas do dia. Para aumentar a segurança, é recomendado que a mãe adote um método contraceptivo a partir da sexta semana após o parto. Um exemplo são as pílulas que contêm só progestagênio, ideais para esse período. Como são livres de estrogênio, não inibem a produção de leite e não interferem em sua qualidade e volume. Converse com seu médico sobre a possibilidade, pois ele poderá recomendar o método mais adequado.

Solidão Materna

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24 julho 2018

Como lidar com essa situação quando o bebê chega?
Isabela Cotian, psicóloga e coach de mães, dá dicas para que as mulheres não sofram de solidão materna, que está ganhando cada vez mais intensidade em um mundo tão corrido
O bebê já está em casa, todas as angústias antes do parto já passaram e, então, é hora de começar um novo ciclo.
A maternidade é o sonho de muitas mulheres, entretanto, a modernidade vem trazendo com essa realização um grande problema: a solidão materna.
“Trata-se do vazio causado pela ausência das pessoas que apoiam a mulher nos primeiros dias de vida do bebê, causando sensação de abandono e desamparo”, explica Isabela Cotian, psicóloga e coach de mães.
Para ela, saber sentir e identificar a solidão materna é fundamental para lidar e tratar esse novo sentimento. 
“Será que alguém cuida da mãe depois do nascimento do bebê? Será que a mãe é querida, importante e amada pela família? Será que todas as amigas, vizinhos ou o marido se esqueceram desta mãe?”, questiona.
Isabela ressalta que hoje se vê muitos cursos e profissionais que dão suporte aos cuidados com o bebê, mas a mãe fica sem um preparo ou uma instrução de como lidar com a solidão materna e toda a mudança emocional que acontece no pós-parto.
“Certamente a mãe vai preferir dar os primeiros cuidados ao bebê, então, é necessário alguém com intimidade para cuidar dela e saber o que fazer dentro da rotina familiar para apoiá-la”, explica.


Mais trabalhos para a mulher: sinal de perigo no pós-parto
Segundo os dados mais atuais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), as mulheres trabalham três horas por semana a mais do que os homens.
Em 2016 os dados comprovaram 18 horas por semana desprendidas pelo público feminino para cuidados das pessoas (pai ou mãe, marido, filhos  amigos) e afazeres domésticos.
Ou seja, mesmo que optem por ofícios em tempos parciais, continuam ganhando menos do que os homens e trabalhando mais tempo.
E com a chegada de um bebê esse número aumenta, assim como a sua dedicação. 
Por isso, se a mulher não tiver apoio, provavelmente essa bola de neve irá acarretar desgastes físico e psicológico para ela.


Quais as consequências da solidão materna?
coach conta que a falta de apoio, acolhimento e companhia podem desenvolver sentimentos de tristeza, solidão e desamparo, assim como transtornos de ansiedade, depressão, entre outros.
“Sendo assim, é essencial que essa mãe avalie a forma como ela vê o mundo, a sua casa e a ela mesma. Se for de forma crítica, pessimista ou até mesmo sem cor, são indícios de solidão materna, que geralmente se manifesta nessas pequenas formas”, esclarece a psicóloga.
A profissional também salienta que é muito importante as pessoas prestarem atenção nessa mãe, pois o foco costuma ser o bebê, mas ela pode precisar mais de apoio do que o pequeno ou a pequena.
“Os principais sintomas são físicos e emocionais, como falta de apetite, distúrbios de sono, baixa autoestima, afastamento do círculo social, dificuldade em retomar os cuidados com si mesma, entre outros. Se uma pessoa próxima perceber isso, deve sugerir a essa mamãe um acompanhamento profissional”, finaliza.


Serviço:
Isabela Cotian – www.isabelacotian.com

Irritabilidade, rejeição à alimentação e baixo ganho de peso?

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05 julho 2018

O seu filho pode ter a Doença do Refluxo Gastroesofágico


É comum os bebês terem regurgitação, popularmente conhecida como “golfada”: retorno do leite para a boca após a mamada, na hora em que mamou ou mesmo algum tempo depois. Embora seja uma situação incômoda, causando apreensão à família, a simples regurgitação não traz riscos às crianças, devendo ser interpretada como decorrente da falta de amadurecimento do aparelho digestivo. Porém, quando o nível desse sintoma é elevado e traz problemas associados é preciso investigar, pois pode significar a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).
É necessário entender a diferença entre regurgitação e refluxo e identificar quando se torna uma doença. O dr. Fábio Ancona Lopez, pediatra e especialista em nutrição infantil, explica: “O refluxo gastroesofágico é a passagem do conteúdo gástrico para o esôfago. Nesse caso, ele pode chegar ou não à boca e à faringe. Já a regurgitação, é a passagem do conteúdo gástrico para a faringe e a  boca com exteriorização  para fora. Simplificando: a regurgitação significa que o refluxo foi visível enquanto o refluxo sem ela pode não ser identificado.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico é a condição na qual ocorrem sintomas incômodos e/ou complicações, como irritabilidade, rejeição à alimentação, dificuldade no ganho de peso acompanhados, muitas vezes, de choro intenso e inconsolável. Bebês podem sofrem dessa doença e precisam de cuidados especiais.
“A DRGE pode trazer graves complicações à saúde das crianças, que podem apresentar esofagites, vômitos com sangue, úlceras pépticas, desnutrição, alteração de esmalte dentário e aspiração bronco-pulmonar”, complementa o dr. Fábio Ancona.
Crianças nessas condições precisam de fórmulas lácteas especiais, desenvolvidas para atender às necessidades nutricionais. Órgãos internacionais, como a American Academy of Pediatrics, preconizam fórmulas espessadas – apresentam grande eficácia contra antirregurgitação e antirefluxo – como a primeira linha de tratamento. Esses produtos utilizam vários tipos de espessantes, como amido de tapioca e goma de alfarroba.
Pais e pediatras devem avaliar aquela que melhor se adequa à criança. É preciso atentar para a digestibilidade da fórmula. As que utilizam proteína do leite de vaca parcialmente hidrolisada podem proporcionar maior conforto à criança. O uso de dois espessantes também é um diferencial no tratamento desses pequenos pacientes. As fórmulas disponíveis tem perfil energético, protéico e lipídico indicados para proporcionar bom crescimento e desenvolvimento, devendo conter a quantidade adequada de ácidos linoleico e α-linolênico para o bom desenvolvimento cerebral e visual da criança”, ressalta dr. Ancona.

Endometriose

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03 julho 2018
Novos medicamentos para tratamento da endometriose melhoram a qualidade de vida das pacientes

Fármacos foram apresentados no último Congresso da SEUD


Muitas pesquisas têm sido feitas no desenvolvimento de medicamentos que podem ser usados para aliviar os sintomas associados à endometriose. Além dos medicamentos já estabelecidos, o principal deles no momento, e que foi recentemente lançado na Europa, é o Elagolix, que promete ser a nova sensação nos tratamentos do distúrbio.

Essa novidade foi apresentada durante o 4º Congresso da SEUD - Society of Endometriosis and Uterine Disorders (Sociedade de Endometriose e Desordens Uterinas), realizado em abril último, em Florença, na Itália.  “O diferencial deste fármaco em comparação aos outros da mesma categoria é que se trata de um antagonista da GnRH que pode ser administrado por via oral, diferente de outros como Zoladex (acetato de gosserrelina), Lectrum (acetato de leuprorrelina), Lupron (acetato de leuprorrelina) que são injetáveis”, comenta o especialista em Medicina ReprodutivaArnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO.


A endometriose é uma condição inflamatória crônica, dependente de estrogênio, caracterizada pela implantação de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e que afeta de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Os sintomas incluem dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica não-menstrual e dispareunia (dor na realção sexual), bem como os sintomas menos comuns, como dor na ovulação e ao urinar e constipação.



A dor associada à endometriose pode diminuir a qualidade de vida da paciente e resultar em uma carga econômica substancial. A dispareunia pode ter profundo impacto interpessoal e consequências psicológicas. A endometriose tem causas multifatoriais, incluindo menstruação retrógrada, fatores genéticos e ambientais, alteração do sistema imune e diferenciação ectópica (fora do útero) de células-tronco mesenquimais.


O estrogênio tem um papel necessário na fisiopatologia da endometriose, uma vez que promove o implante de endométrio no peritônio (tecido que reveste internamente o abdômen), traz efeitos proliferativos e antiapoptóticos (apoptose é a morte celular) nas células endometriais e estimula a inflamação local e sistêmica.

Com base na “hipótese da importância do estrogênio”, a supressão completa do estrogênio pode não ser necessária para controlar a dor associada à endometriose, e o estrogênio pode ser ajustado a um nível adequado para controlar a dor, mas minimizar os efeitos hipoestrogênicos.


“Embora o tratamento cirúrgico por videolaparoscopia cirúrgica seja o “padrão ouro” para a resolução “definitiva” deste distúrbio, nem sempre a intervenção pode ser indicada, principalmente nas pacientes que são jovens e ainda não têm filhos. A indicação cirúrgica deve ser sempre ponderada quanto aos seus prós e contras”, alerta Cambiaghi.


As terapias de primeira linha para dor relacionada à endometriose incluem drogas antiinflamatórias não-esteroidais (AINEs) e contraceptivos orais contendo progesterona. As terapias de segunda linha envolvem formulações de depósito injetável de agonistas do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), como o acetato de leuprolide. Os agentes são eficazes e reduzem os níveis de estrogênio para níveis pós-menopausa e estão associados a efeitos colaterais (por exemplo, perda óssea progressiva e sintomas vasomotores graves – ondas de calor), que limitam seu uso a seis meses. 

As opções médicas permanecem limitadas. As progesteronas, muitas vezes estão associadas a sangramento, ganho de peso e alterações de humor. Agentes androgênicos, como o danazol, estão associados à acne, hirsutismo e alterações no perfil lipídico. A ablação cirúrgica ou a excisão das lesões podem seja eficazes.


“O Elagolix é um antagonista oral e os estudos mostraram eficácia no controle tanto da dismenorreia quanto da dor pélvica não menstrual, com um perfil de segurança aceitável em uma dose (uma vez ao dia de 150 mg) que produza supressão parcial do estrogênio. O Elagolix (na dose de 200 mg duas vezes ao dia) levou à supressão quase completa do estrogênio”, finaliza o médico.

Outros medicamentos na fase final de pesquisa:

·Relugolix: um antagonista seletivo não peptídico, atualmente está em fase III de ensaios clínicos para o tratamento da endometriose, do leiomioma uterino e do câncer de próstata.

·Linzagolix: é um antagonista de hormônio liberador de gonadotropina de pequena molécula, não peptídico, ativo oralmente (antagonista de GnRH) que está em desenvolvimento para o tratamento de útero leiomioma e endometriose.

·SKI 26 O70: antagonista do hormônio libertador de gonadotropina (GNRH),  é um novo antagonista de GnRH não peptídico, ativo por via oral ainda nos estudos iniciais 

.Vilaprisan (codinome de desenvolvimento BAY-1002670): é um modulador esteroidal seletivo de receptor de progesterona sintético (SPRM) que está em desenvolvimento para o tratamento de endometriose e miomas uterinos.

Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros. 

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